Uma crise de pânico é uma experiência avassaladora que, no momento em que ocorre, parece roubar da pessoa qualquer capacidade de reagir ou aliviar seus sintomas. Além disso, o medo de que uma nova crise possa surgir a qualquer instante começa a se instalar, criando uma espécie de prisão invisível. Aos poucos, a vida pode se tornar um constante estado de alerta, onde a angústia da expectativa domina o cotidiano. É uma situação que ninguém deseja viver.
Em minha experiência como psicoterapeuta, percebi que, muitas vezes, as crises de pânico estão ligadas a questões emocionais profundas que, de alguma forma, foram negligenciadas ou sufocadas ao longo do tempo. Segredos guardados, culpas que persistem, pressões excessivas no trabalho — especialmente em ambientes onde as metas são implacáveis — são alguns dos fatores que, quando acumulados, passam a exercer uma influência silenciosa, mas poderosa, sobre nosso bem-estar. Mesmo quando não estamos em crise, essa tensão interna nos impede de experimentar a paz e a alegria de forma plena e autêntica.
O que a psicoterapia pode oferecer diante disso? Como o terapeuta enxerga essa condição?
Cada pessoa é única, e não há como medir ou prever a profundidade do que está em jogo. Em alguns casos, o conflito emocional pode ser menos complexo, e uma simples tomada de consciência, seguida de uma mudança de atitude, já é suficiente para trazer alívio. Para ilustrar, imagine alguém que vive guardando segredos. Por medo ou desconfiança, essa pessoa acaba criando uma vida paralela, cheia de coisas não ditas. No entanto, muitas dessas coisas poderiam ser compartilhadas, mesmo que isso cause algum desconforto. O que falta, muitas vezes, é a coragem para dar esse passo. Quando a pessoa consegue enfrentar esse medo e se abre, é como se uma pressão interna fosse liberada, assim como o vapor que escapa de uma panela quando a tampa é aberta.
Esse exemplo serve para mostrar que, em alguns casos, o caminho para lidar com as crises de pânico pode ser mais simples do que se imagina. Claro, muitas vezes não é assim. Há situações em que as raízes do sofrimento são mais profundas e exigem um trabalho mais cuidadoso. A psicoterapia, nesses casos, busca ajudar a pessoa a se tornar consciente das forças que estão por trás das crises. Essa consciência, por si só, já pode trazer algum alívio, mas muitas vezes é necessário ir além: é preciso construir novas formas de se relacionar consigo mesmo e com o mundo, de modo que os conflitos que alimentavam as crises possam ser transformados.
A culpa, por exemplo, é um dos sentimentos mais difíceis de lidar, especialmente quando está ligada a situações do passado que não podem ser mudadas ou resolvidas de forma racional. Nesses casos, acredito que uma abordagem que valorize a experiência vivida e a subjetividade da pessoa pode ser muito poderosa. A terapia de abordagem existencial nos convida a olhar para a experiência única de cada indivíduo, ajudando-o a encontrar sentido e compreensão dentro de sua própria história.
Eu acredito, sinceramente, que muitas pessoas que sofrem com crises de pânico poderiam encontrar alívio sem precisar de medicação. No entanto, não posso generalizar. Cada caso é único, e em algumas situações a medicação pode ser necessária. De qualquer forma, acredito que todas as pessoas merecem a chance de se libertar das amarras emocionais que as impedem de viver uma vida plena, serena e verdadeiramente satisfatória.